Como se constrói a ciência?
Como progrediu a ciência? (Se é legítimo falar em progresso da ciência).
Quais as condições psicológicas do progresso da ciência?
São estas algumas questões postas por Bachelard que admite que é em termos de obstáculos que devemos pôr o problema do conhecimento científico.
Mas serão esses obstáculos impedimentos exteriores (por exemplo a complexidade de determinado fenómeno), ou impedimentos interiores (por exemplo a fraqueza dos nossos sentidos)? Parece não haver dúvida que, tanto num caso como no outro, há determinado impedimento, determinado obstáculo a erguer-se e a impedir o caminhar livre da descoberta científica.
Mas Bachelard avançará afirmando que é no próprio acto de conhecer, intimamente, que aparecem, por uma espécie de necessidade funcional, lentidões e perturbações.
É portanto, ao nível do acto de conhecer que surgem as causas de estagnação e mesmo de regressão, causas de inércia que são os chamados obstáculos epistemológicos: como se a luz que o conhecimento do real implica, projectasse sempre determinadas sombras. A epistemologia deste cientista-filósofo será assim marcada pelos obstáculos e pelas rupturas, até mesmo pelas tentações e erros da ciência.
Na formação do espírito científico o primeiro obstáculo é a experiência primeira, aquela experiência que antecede qualquer crítica: ora não pode haver espírito científico se não houver crítica. Os conhecimentos primeiros são extremamente frágeis, precisamente porque não foram filtrados pela razão, porque correspondem à aceitação imediata do facto colorido e diverso.
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