Muitas ideias, pontos de vista... fichas de trabalho, testes, apontamentos de Filosofia, Psicologia e tanto mais. O mundo dos filósofos acontece por aqui, porque filosofamos e estamos num mundo diferente, o nosso... volta mais tarde e estaremos todos juntos, aqui nos "Nabos da Púcara"! Deixa o teu comentário, colabora e entra no reino da Filosofia, enamora-te pelo prazer da reflexão e medita na existência, constrói a tua interioridade pela harmonia e pela vigia enquanto luz da razão. Até já...!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ficha de trabalho – 10º Ano - Valores

Grupo I

1. “Todos nós valoramos, e não podemos deixar de valorar. Não é possível a vida sem proferir constantemente juízos de valor. É da essência do ser humano conhecer e querer, tanto como valorar.”
Hessen, A Filosofia dos valores

1.1. Explique em que consiste “valorar”.

1.2. Explique em que consiste “valorizar”.

1.3. Diga, qual é na sua opinião, a importância dos valores para a vida humana.

2. Distinga juízo de facto de juízo de valor. Dê exemplos.

3. Explique porque razão, podemos considerar simultaneamente os valores como absolutos e relativos.

4. “A polaridade é a propriedade que todos os valores têm de se contraporem a um pólo positivo e a um pólo negativo (…) A hierarquia é a propriedade que possuem os valores de se submeterem uns aos outros.” in Garcia Morente, Ensaios sobre o progresso
4.1.- Comente o texto, explicando as características presentes no mesmo.

Grupo II

1. “Os valores, portanto, só podem tornar-se existenciais sob a forma de qualidades, características, modos de ser. Não possuem um ser independente, mas são de certo modo trazidos, sustentados, pelos objectos nos quais se realizam; estes objectos tornam-se o seu suporte. As coisas são então portadoras dos valores.”
Hessen, A Filosofia dos valores

Comente o texto, caracterizando os valores.

2. Explique o que se entende por “tábua de valores”. Relacione-a com a hierarquia dos valores.

3. Comente a afirmação “A vida sem valores seria impossível”.

Grupo III

1. “O Homem (…) percebe em torno de si um sem número de coisas boas e más, um sem número de objectos feitos, grandiosos e mesquinhos, nobres e vulgares. O nosso mundo não consta apenas, nem principalmente, de coisas, mas dessas atracções e repulsas que, à nossa volta, não param de afectar o nosso espírito. O mundo real e concreto, o mundo que efectivamente vivemos, não é o que a física, a química, a matemática nos descrevem, mas um imenso arsenal de bens e de males, com os quais edificamos a vida.”
Garcia Morente, Ensaios sobre o progresso

Comente o texto, distinguindo facto / valor e esclarecendo a importância dos valores para a vida humana.

2. Explique a influência dos factores sociais na construção dos valores.

3. "O valor é uma criação humana". Concorda com a afirmação? Justifique a sua resposta.

4. “A crise (dos valores) não é o contrário do desenvolvimento, mas sim a sua própria forma.” Clarifique a citação, fundamentando a sua postura.

5. Será possível conciliar os valores das diferentes culturas? Justifique a sua resposta.

Grupo IV

1. “O conceito de valor não pode rigorosamente definir-se. Pertence ao número daqueles conceitos supremos, como os de ser, existência, etc., que não admitem definição. Tudo o que pode fazer-se a respeito deles é simplesmente tentar uma classificação do seu conteúdo.” in Hessen, A Filosofia dos valores

Comente o texto, tentando definir os valores.

2. Comente a afirmação: “Os valores orientam a nossa acção.”

3. "Historicidade versus perenidade dos valores." Situe-se nesta discussão, justificando o seu ponto de vista.


Boa Sorte!

Teste Sumativo de Filosofia - 10º Ano



TESTE SUMATIVO
FILOSOFIA 10ºAno


Duração: 90 minutos


Leia atentamente o seu teste antes de começar a responder. Nada de pressas! Deve ter em conta os seguintes critérios, segundo os quais as suas respostas serão avaliadas:
Domínio dos conteúdos e temas tratados – 40%; Análise e interpretação de documentos /frases apresentada – 30%; Rigor conceptual – 10%, Correcção linguística – 10%, Clareza e sequência lógica das ideias – 10%.

Grupo I
(10x2=20 pts)

Este grupo é constituído por dez afirmações em que terá de assinalar com um V, as afirmações verdadeiras e com um F as falsas.

1 – Todos os comportamentos humanos conscientes podem ser considerados acções humanas.

2 – Muitas vezes decidimos sem antes deliberarmos, portanto, o processo de deliberação ocorre sempre depois do da decisão.

3 – Ao contrário do determinismo, a perspectiva indeterminista não recusa a liberdade nem desresponsabiliza o agente.

4 – Segundo o libertismo, o sujeito é causa das suas próprias acções.

5 – As condicionantes físico-biológicas são mais limitadoras da acção do que as psicológicas ou as histórico-culturais.

6 – Os juízos de valor são afirmações que descrevem os factos e que, sendo verdadeiros, permitem alcançar uma posição de consenso entre diferentes indivíduos.

7 – O juízo “A música de Vivaldi é bela” é um juízo de facto.

8 – Afirmar a perenidade dos valores não implica necessariamente negar a sua historicidade, já que muitos valores persistem ao longo das diferentes épocas.

9 – A relação do homem com o mundo é sempre valorativa, daí poder afirmar-se uma pluralidade e diversidade de experiências valorativas.

10 – A objectividade dos valores está para a sua absolutividade tal como a subjectividade dos valores está para a sua relatividade.
Grupo II
(6x5=30 pts)

No grupo que se segue terá de seleccionar a resposta correcta.

1 – Por condicionantes da acção humana entende-se:

A – O conjunto de características que recebemos do meio social e que definem as nossas escolhas;
B – O conjunto de estados psicológicos que estão subjacentes às nossas escolhas;
C – O conjunto de características físicas e biológicas que determinam as nossas acções;
D – O conjunto de condições e restrições que estabelecem os limites dentro dos quais é possível realizar as nossas escolhas.

2 – O indeterminismo leva à negação:

A – Da liberdade e da responsabilidade do agente;
B – Da causalidade e da liberdade do agente;
C – Da causalidade e da responsabilidade do agente;
D – Da causalidade e da consciência do agente.

3 – Os juízos de valor são enunciados subjectivos. Esta afirmação é:

A – Verdadeira, porque os juízos de valor são afirmações sobre diferentes sujeitos;
B – Falsa, porque os juízos de valor são enunciados objectivos;
C – Verdadeira, porque os juízos de valor são enunciados que derivam da valoração que o sujeito faz da realidade;
D – Falsa, porque os juízos de valor são afirmações que derivam de experiências que são comuns a todos os homens.

4 – Max Scheler hierarquiza os valores segundo a seguinte ordem crescente:

A – Valores úteis; vitais; lógicos; estéticos; éticos; religiosos;
B – Valores religiosos; morais; estéticos; vitais; úteis; lógicos;
C – Valores vitais; lógicos; úteis; estéticos; éticos; religiosos;
D – Valores religiosos; morais; estéticos; úteis; lógicos; vitais.

5 – O juízo “A discriminação das mulheres grávidas no acesso ao emprego é injusta” é um juízo:

A – De valor; verdadeiro;
B – De facto; verdadeiro;
C – De valor; afirmativo;
D – De facto; afirmativo.

6 – O facto de ao valor “belo” corresponder o seu contravalor “feio” permite-nos confirmar:

A – A sua polaridade;
B – A sua hierarquia;
C – A sua subjectividade;
D – A sua relatividade.

Grupo III
(5x20=100 pts.)

Neste grupo pretendem-se respostas curtas e objectivas.
Tenha em atenção que a sua resposta será avaliada de acordo com critérios já mencionados inicialmente.

1
“ A nossa existência concreta está condicionada e determinada de múltiplas formas. Foram-lhe dadas possibilidades ao mesmo tempo que ficou sujeita a limitações.” E. Coreth

Explique o sentido da citação, referindo as diferentes condicionantes da acção humana.

2
“Um valor é o resultado de três componentes: um objecto que se deseja, um sujeito que escolhe e um contexto social no qual se inscreve uma certa actividade.” Shilek

A partir desta afirmação, esclareça a natureza dos valores.

3
“Imagine que um colega tira da mochila de outro a pen que contém o trabalho de Filosofia, sobre os valores, que o professor tinha pedido aos alunos da turma. A intenção do colega que cometeu o acto foi a de retirar algumas ideias para o seu próprio trabalho, com a finalidade de conseguir uma classificação melhor do que a do dono da pen.”

3.1. – Imagine que assistiu ao acto descrito. O que faria nesta situação?

3.2.Indique os valores que estão em confronto no seu processo de deliberação.

3.3. – Proceda à hierarquização desses valores.

Grupo IV
(50 pts.)

Neste grupo pretende-se uma resposta aberta e orientada.
Tenha em atenção que a sua resposta será avaliada de acordo com critérios já mencionados inicialmente.

“O homem primeiramente vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores, hierarquiza-os e dá, assim, um sentido à sua existência mediante opções que ultrapassam sem cessar os limites do seu conhecimento efectivo.” Jean Piaget

Analise a opinião do autor. Fundamente a sua resposta.

Total: 200 pontos


Bom trabalho!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Tábua de Valores

Tábua de Valores

Elaborada por Max Scheler e reformulada por Ortega y Gasset


Valores úteis:

Capaz – Incapaz
Caro – barato
Abundante – escasso
Necessário – supérfluo
Adequado – inadequado
Conveniente - inconveniente

Valores vitais:

Forte – fraco
Enérgico – inerte
São – doente, enfermo
Selecto – vulgar
Enérgico – inerte
Forte – débil

Valores Lógicos ou Intelectuais:

Conhecimento – erro
Verdade – Falsidade
Exacto – aproximado
Evidente – provável

Valores Espirituais / Éticos ou Morais:

Bom – mau
Bondoso – maldoso
Justo – injusto
Escrupuloso – desleixado
Leal – desleal
Misericordioso - desapiedado

Valores Estéticos:
Belo – feio
Gracioso – tosco
Elegante – deselegante
Harmonioso – desarmonioso
Sublime – Ridículo

Valores Religiosos:

Sagrado (santo) – profano
Divino – demoníaco
Supremo – derivado
Milagroso – mecânico

Classificação dos Valores segundo Max Scheler

1 - Valores vitais - Relacionam-se com a preservação da vida.

2 - Valores materiais - Procuram a satisfação das necessidades

3 - Valores intelectuais - Relacionam-se com o espírito e o conhecimento.

4 - Valores estéticos - Remetem à beleza e à arte.

5 - Valores éticos - Têm que ver com as atitudes e os deveres.

6 - Valores morais - Têm que ver com a conduta humana na sua relação com o bem e o mal

7 - Valores religiosos - Relacionam-se com a alma e as suas crenças.

8 - Valores espirituais - Referem-se à vida superior e à transcendência.

Tarefa:
Tendo em conta a tábua dos valores em causa, escolha três valores e redija um texto mostrando a importância desses mesmos valores para a sua vida.

FACTO E VALOR

(Apontamento)


Juízo consiste em afirmar ou negar alguma coisa.

Ao falarmos de valores, referimo-nos a um mundo de entes ideais que introduzem a significação e o sentido à acção humana. O mundo dos valores é o mundo das escolhas, da apreciação dos actos e objectos em que a acção humana impõe uma demarcação entre o desejável e o indesejável, o bem e o mal, a honestidade e a desonestidade, o amor e o ódio ou a justiça e a injustiça.

Os Juízos de apreciação que nos levam a valorizar cortam com a neutralidade e indiferença na actividade do homem. Impõem-nos uma maior visão da realidade desdobrada em polaridades, uma positiva outra negativa, obrigando-nos a uma opção. Para melhor compreendermos o funcionamento e antes duma caracterização dos valores devemos distinguir os juízos de Facto e os Juízos de Valor.

Os Juízos de facto referem-se fundamentalmente à ordem do ser ou realidade procurando indicar os seus atributos, que podemos verificar e submeter a observação; indicam-nos acontecimentos que consideramos objectivos; são portanto Juízos que se referem à existência de objectos que se apresentam como exteriores ao sujeito, como factos verificáveis. Exemplos destes Juízos são os enunciados de ordem científica como: “A água entra em ebulição a 9º graus centígrados”. Descrevem a realidade ou informam-nos acerca de factos, coisas, acontecimentos ou acções.

Os juízos de facto são descritivos ou de existência. Descrevem e informam acerca da realidade concreta sem emitir preferências e apreciações. Podem ser facilmente considerados verdadeiros ou falsos, conforme se adequam ou não à realidade, e podem ser objecto de verificação empírica. Isto é, em relação ao juízo: "A árvore deu frutos.", que é um juízo de facto, eu posso olhar e verificar se é verdade ou não verdade.


Os Juízos de Valor são Juízos que implicam a subjectividade do indivíduo e expressam a forma como ele se relaciona com as coisas, implicam a avaliação dos objectos feita pelo sujeito que avalia e confere significado aos objectos e autos, avaliação? essa resultante de escolhas feitas segundo a educação, cultura, crenças e interesses ou atitudes do indivíduo. Por isso estes Juízos expressam uma relação de imanência à consciência do indivíduo indicando-lhe não o que a realidade é, mas o que ela deve ser. Apontam um significado e um sentido à acção humana, indicando-lhe um ideal, dirigindo a pessoa para um horizonte de ordem ideal. Valoram determinados acontecimentos, coisas e acções.
Um exemplo deste tipo de Juízos são as afirmações do género: “Lisboa é "uma cidade muito bonita e encantadora".


Os juízos valorativos ou de valor - julgam factos e realidades em função de preferências axiológicas. Estes juízos não são verificáveis empiricamente e não são, normalmente, alvo de consensos. Podem ser de apreciação moral, estética, religiosa, vital, de utilidade, entre outros.
 
Tarefa: Relacione Juízo de Facto com Juízo de valor.

Características dos valores

Todo o homem possui a experiência dos valores, norteando por eles a sua actividade.
Os valores conhecem-se, ou melhor, experimentam-se, vivem-se na prática. Conhecê-los não é possuir deles uma imagem definida, mas antes intui-los, descobri-los, estimá-los como algo de valioso para nós.
Este acto de estimar ou avaliar, que é no que consiste, essencialmente, a apreensão dos valores, é uma constante em toda a actividade humana e, apesar disso, torna-se impossível uma definição objectiva de valores.

Quando muito, podemos detectar algumas das suas características mais significativas, como tentativa de compreensão deste universo tão complexo e tão fascinante como é o universo dos valores.

Pensamos nas características dos valores:
 
1 - Os valores não são coisas

Vulgarmente, aplica-se o termo valor a propósito de objectos materiais que eventualmente alguém possua ou venha a adquirir.
Deste modo, uma jorra, um relógio, uma casa, um automóvel, um livro, uma quantia em dinheiro são valores, sendo aquele que os possui detentor de um certo número de bens.
A ser assim, os valores seriam tomados como coisas que se têm e que valeriam por si mesmas.
Porém, sabemos já que o significado de valor ultrapassa esta interpretação substancialista. Assim, um relógio não é um valor, mas um objecto o que se atribui valor por ser bonito, por ser útil, por ser caro ou por ser uma recordação de família.

2 - Os valores não são qualidades sensíveis das coisas

Se os valores não são coisas, também não são as qualidades das mesmas.
Assim, uma jorra pode ser de porcelana, de cor azul, pintada à mão com filetes dourados e com rosas vermelhas e malmequeres brancos desenhados na frente. Pode ter uma asa de cada lado que do bordo superior se estende até à base. Pode, por hipótese, medir vinte e cinco centímetros de altura e o seu perímetro circular maior ser de meio metro. Pode ser assinada e ter uma marca que a identifica como fabricada em Limoges, por exemplo.
Tudo isto podemos ver e todos estaremos de acordo quanto a estas características, podendo até comprovar as medições.

Porém, uns achá-la-ão bonita, outros feia. Uns gostariam de a possuir, outros não se importariam de a ter, outros despachá-la-iam a qualquer preço, ou escondê-la-iam no canto mais escuro do sótão.
Coloca-se a questão: Que é o belo? Que é o feio? Serão qualidades da jorra?
Se uma criança tortura um animal, “vemos” a crueldade desse acto e se assistimos a um bailado “vemos” a graciosidade da bailarina e “ouvimos” a harmonia da música. Mas em nenhum dos casos se trata de uma percepção sensorial, mas de “ver” e “ouvir” com os olhos e ouvidos do espírito.

Porque é que não percepcionamos a crueldade, a graciosidade e a harmonia? Estarão nos actos ou residirão em nós?
Todos sabemos que não há unanimidade quanto ao valor das coisas e dos actos, pelo que é licito que nos interroguemos se a existência do valor se situa no objecto ou se será meramente conferido pelas estruturas do sujeito.

3 - Os valores não são ideias

Números inteiros, infinito, recto, pentágono, relação, probabilidade são exemplos de ideias que nós concebemos e o que as pessoas têm acesso por via intelectual. Trata-se de entidades que todos podemos definir com objectividade na medida em que estamos de acordo com aquilo que significam.
Mas os valores não são ideias e não se captam por via intelectual, mas por via essencialmente emotiva.

Lotze, filósofo alemão, insiste em separar o campo das ideias do campo dos valores, salientando que apreendemos os primeiros pela inteligência enquanto os valores se captam por uma particular forma de sentir espiritual. Diz-nos este pensador que “os valores não são, os valores valem.”
Esta visão descoisificada dos valores não significa, contudo, que eles se nos apresentem num mundo alheio aos objectos e às situações reais. Os valores não se intuem desligados das coisas, pois que o acto de os estimar exige a presença dos objectos ou dos actos em que se consubstanciam.
Apesar disso, os valores não se identificam com esses objectos ou acções nem se reduzem o eles.

Quer isto dizer que os valores consistem em meros indices que determinam as nossas preferências e as nossas rejeições.

4 - Os valores são bipolares

Todos nos sentimos atraídos pelo bem, pela verdade, pelo amor, pela justiça. Estes termos referem-se a valores que encontram o seu contrário no mal, na falsidade, no ódio e na injustiça.
Os primeiros valores são valores positivos, os segundos são valores negativos a que também se costuma chamar desvalores.
A bipolaridade é a propriedade que apresentam os valores de existirem sempre em pares opostos, existe uma polaridade.

5 - Os valores são hierarquizáveis

Cada sujeito, nas mais diversas circunstâncias, conduz-se por uma escala hierarquizada de valores que o leva pessoalmente a preferir isto àquilo, a realizar este acto em vez daquele.

Como se hierarquizam os valores? (como é a sua construção por ordem de preferências de quem os selecciona?)

Sempre que tem de deliberar, o sujeito não se encontra perante uma, mas várias ordens de valores. Tem então, antes de agir, de se decidir relativamente ao que quer fazer. Terá de escolher, por exemplo, entre o prazer sensível, a realização espiritual, o lucro, a valorização profissional, a justiça, etc..
Uma vez decidida a acção, ela terá implícita, prioritariamente, uma dimensão económica, estética, política, ética ou religiosa que lhe é conferida pela ordem de valores preferidos.

Deste modo, os valores apresentam-se-nos com valências diferentes, o que permite colocá-los numa escala hierarquizada de preferências.

A hierarquia é, pois, uma propriedade dos valores segundo a qual se subordinam uns aos outros, em função de caracteres de valiosidade que cada um manifesta para nós.

Cada pessoa estabelece a sua própria escala de valores.
Isso significa que os valores estão na dependência do sujeito que tem a possibilidade de os colocar hierarquicamente para regulamentar a sua acção. Para além disso, significa que o sujeito é responsável pelas opções tomadas.

Esta posição subjectivista que confere liberdade ao sujeito não defende, contudo, a anarquia da sua conduta, nem legitima qualquer escolha de valores à margem de critérios.

6 - Os valores são diferenciáveis

Não correspondendo a algo de material ou de racional, podemos afirmar que os valores são vazios, conquanto as expressões verbais da nossa linguagem lhes confira uma aparente substancialização.
Dai ser possível compreender que em cada ordem de valores haja, por assim dizer, um conteúdo próprio que faz com que não confundamos, por exemplo, o amor com a prudência, a bondade com o poder, a ordem com o lucro.

Quanto ao conteúdo, os valores podem ser sensíveis ou espirituais.

a) - Nos valores sensíveis podem incluir-se todos aqueles cuja obtenção provoca o prazer físico. Este encontra, como é óbvio, o seu correspondente de carácter negativo na dor.

Todos procuramos a saúde e o vigor físico, tentando evitar a doença e a debilidade. Com vista a tais objectivos, praticamos desporto, fazemos uma alimentação equilibrada, afastamo-nos de fontes poluentes, etc..

b) - Nos valores espirituais refere-se ao prazer espiritual, resultante das acções do homem enquanto entidade dotada de razão e de sensibilidade.
A prossecução deste tipo de valores encaminha o homem para a realização de actividades éticas, estéticas e religiosas.

7 - Valor meio e valor-fim

Dado que toda a acção humana é orientada por valores, qualquer reflexão sobre a acção terá necessariamente que recair sobre aqueles. São os valores que, afinal, retiram aos nossos actos o carácter de gratuitidade, pois que são eles que os intensificam, orientam e lhes conferem sentido.
Não te esqueças que a relação entre acção humana e valor não é unívoca.

Que é que isto quer dizer? Recorramos a alguns exemplos para que se entenda melhor:

O indivíduo que despende parte considerável dos seus haveres na compra de obras de arte pode fazê-lo por imperativos de ordem estética ou, diferentemente, por pensar que está a realizar um óptimo investimento de capitais.
No primeiro caso, a aquisição de obras de arte possui valor por si mesmo, pois que o objectivo visado reside na própria actuação.

No segundo caso, a finalidade não reside no prazer estético e o que o indivíduo pretende é o lucro. Os seus actos, que à primeira vista parecem manifestar uma dimensão estética, não visam mais do que valores de ordem económica.
Também uma quantia de dinheiro oferecida, por exemplo, a uma instituição desportiva pode significar gosto e interesse pelo desporto ou, diferentemente, uma forma de granjear prestigio social.

Os valores em si mesmo (valores fins) e valores instrumentais (valores meios).

Relembrando e consolidando pontos fortes:

Os valores:

1 - São guias de acção

"Os valores são aquilo que costuma pôr em movimento a conduta e o comportamento das pessoas; orientam a vida e marcam a personalidade". - Garcia Mariño

"Os valores são preferências pelas quais orientamos o nosso comportamento e critérios pelos quais julgamos". - Hodgkinson

2 - Os valores são ideais e projectos

"Os valores são projectos ideais para o comportamento e para o existir" - Adela Garzón e Jorge Garcés

"O valor apresenta-se como um ideal, a um fim, um objectivo; sob certos aspectos, é "exterior às pessoas - sobretudo no aspecto colectivo - na medida em que consiste num estímulo que pode ou deve mesmo afectar a motivação das pessoas". - Guy Rocher

3 - Os valores são crenças que se traduzem em atitudes

"Os valores são um tipo de crenças que prescrevem o comportamento humano". - Rokead

4 - Os valores são opções

"Valores são opções entre diversas maneiras de actuar que são manifestações da hierarquização do mundo de um sujeito individual ou de uma colectividade". - Parson e kluchhohn

"Valores são características da acção humana, enquanto esta pressupõe a eleição de determinadas opções entre um conjunto de dilemas que configuram a existência humana". - Parson

--- Ordem ideal - Aquilo que existe como uma ideia, finalidade e objectivo. Aquilo que se apresenta como uma realidade a construir ou alcançar. Tudo aquilo a que conferimos uma "realidade" superior e, por isso, desajustável.

PS. E para ti qual a importância dos valores? Como povoam os valores a tua vida?