ACÇÃO HUMANA
À filosofia não importa apenas o conjunto de especulações teóricas, fechadas em sistemas rígidos, construídos sob a égide de um intelectualismo puro, mas, acima de tudo, uma reflexão sobre o homem inserido na complexidade concreta das relações que mantém com o outro e com o mundo.
É assim, damos agora início a uma nova matéria, para dar início a esta matéria vou-vos entregar uma ficha de trabalho que é sobre a acção humana; um poema de Fausto. Vamos começar por ler e depois debatemos o que está em causa no poema, certo?
No princípio era o Verbo? O que é isso? Do que é que trata o poema? Sabem dizer-me? O poema termina, com: “ No princípio era a acção! Quem me sabe explicar isso?
A acção é uma actividade? É um movimento? Move montes e vales? Está em mim, em ti? Ela é o pensamento? É o que nos faz estar aqui na aula? Está em nós ou para lá de todos nós? O que é a acção? Já pensaram nisso? Quando é que a acção é humana? Existe acção sem ser humana?
A acção visa simultaneamente uma explicação racional da totalidade do mundo em que a vida do homem se desenrola.
Confrontado com um universo cuja dinâmica desconhece, o homem é assaltado por inquietações várias, por problemas que carecem de solução, não se deixando dominar por isso. Este poema é um sinal disso. Eu disse um sinal.
O que é agir? Já pensaram no que seja o agir? Quando é que o que eu realizo é acção e quando é que não é? Ou é tudo o mesmo? Há alguma diferença?
As palavras agir e acção derivam do étimo latino agere, que significa agir, produzir, fazer. Saliente-se, contudo, que entre o agir e o fazer há diferença de significado.
Mas o que é que se entende por acção?
Esta é logo a primeira pergunta!
Num sentido muito lato a acção significa a produção de um efeito, o que implica que algo é modificado ou transformado, não será?.
Da acção derivam, portanto, determinadas consequências. Esta aula não poderá ter uma consequência? É neste sentido que aplicamos o termo aos efeitos que observamos na natureza. Falamos assim da acção das águas de um rio ou da acção das ondas hertzianas... Mas o termo «acção» é também atribuído à força ou a capacidade causadora do efeito e não ao efeito propriamente dito. O discurso sobre a acção remete-nos, nesse caso, para a busca do seu ponto de partida, isto é, para o agente que possui o poder ou a capacidade de agir.
No que diz respeito à acção humana, que é aquela cujo agente é o homem e cuja especificidade aqui pretendemos caracterizar, devemos começar por distingui-la do plano do acontecer. Com efeito, podemos distinguir entre a acção que realizamos: quando, por exemplo, retiramos o dedo ao picarmo-nos numa agulha. Já pensaram nisto? O que é que acontece em nós quando isto por acaso acontece? Estamos num nível instintivo e involuntário, não se tratando propriamente de um agir mas de um reagir.
Reagimos automaticamente. Limitamo-nos a um comportamento do tipo determinista. O comportamento em causa não foi produzido por nós: simplesmente aconteceu. O organismo funcionou como se tratasse de uma máquina, limitando-se a reagir de um modo previsível a um estímulo determinado. Certamente ninguém esperaria que em resposta à dor provocada pela picada da agulha alguém tivesse um comportamento oposto. Assim, a uma causa determinada, correspondeu um efeito previsível.
Este tipo de comportamento é próprio das coisas e, em grande medida, dos organismos: se deixarmos cair um corpo sólido de um terceiro andar esperamos, devido à forca da gravidade, que ele caia no solo e não que levite.
As coisas reagem de acordo com leis e, conhecendo as causas que as determinam numa dada situação, podemos antecipar os seus efeitos e, portanto, o seu comportamento. No exemplo do indivíduo que foi picado, ele não reagiu de um modo caracteristicamente humano, mas como um corpo ou como um organismo, submetido às mesmas leis físicas e fisiológicas que regem outros organismos. Muitos dos nossos comportamentos são deste tipo, isto é situam-se no domínio do puro acontecer. Rigorosamente o indivíduo do exemplo descrito aqui não poderá dizer «piquei-me» (uma vez que não foi o agente deliberado daquela situação) mas, mais precisamente, «fui picado».
A diferença entre o discurso da primeira e da terceira pessoa não é um mero jogo de palavras, mas revela uma diferença fundamental entre o fazer e o acontecer, o exemplo disso, é quando produzimos uma peça determinada, por exemplo, quando moldamos um objecto de barro. Neste caso a acção é vista apenas do ponto de vista da execução, da produção dos seus efeitos sobre o objecto. Situa-se ao nível daquilo que os Gregos designavam por «fazer» (poiein), isto e, da produção técnica. Trata-se da actividade centrada no objecto.
Neste caso há uma diferença clara em relação ao exemplo anterior: aqui existe uma actividade consciente, deliberada, que mobiliza um saber, é um poder técnico.
Estão a ver? Isto já é algo de novo!
Já não estamos ao nível do reagir mas do agir . Duas coisas completamente diferentes. E de que forma? É um agir consciente e deliberado, da vontade. E contudo ainda não entrámos no domínio do agir especificamente humano.
Sabem o que é uma deliberação? É com cada palavrão!
Deliberação significa escolha racional, determinação, resolução, vontade, decreto, consulta.
Quando escolhemos uma profissão por exemplo, este caso, em que nos encontramos, é o plano do agir, é especificamente humano, o agente não é apenas aquele que realiza a acção, seja ela instintiva ou um fazer técnico centrado no objecto, mas aquele que se expressa e que se define na acção. Ao escolher esta e não outra profissão eu defino o meu projecto pessoal e ao fazê-lo estou a escolher o meu próprio ser.
Em suma, neste caso, a actividade centra-se no próprio agente: este realiza-se a si próprio mediante os seus actos e as suas decisões. Outra palavra já empregue aqui, é agente. Uma palavra a registar. Encontramo-nos aqui no plano da acção própria do homem, no plano da determinação do sujeito através de acções portadoras de sentido. A acção humana remete aqui para um comportamento intencional e motivado, para o campo da responsabilidade e da liberdade.
Com efeito, aquilo que permite qualificar uma acção de «humana» é justamente o facto das consequências dessa acção serem analisáveis em função do sentido que carregam e de serem consideradas em termos da responsabilidade do agente que livremente a realiza.
A questão do agir humano remete para a indagação das intenções e dos motivos que se situam no plano das decisões do agente. O problema não se coloca aqui na manifestação observável do acontecer ou no resultado de um fazer, mas, desde logo, na constituição do sentido da acção: o que é que a move, quais os seus elementos característicos, quais as relações entre eles, quais os seus significados... Trata-se pois de analisar o agir humano nas componentes que o tornam significativo, isto é, na sua relação com os conceitos de intenção, de motivo e de agente e não de classificar esta ou aquela acção como sendo «boa» ou «má».
Fazendo o ponto de situação da aula: na generalidade, entende-se por acção a execução de algo, a realização de um projecto. Tomada neste sentido, a acção opor-se-ia à actividade intelectual que concebe o projecto e o modo de o executar.
Isto significa que ela se distinguiria nitidamente do pensamento, do mesmo modo que a prática se distinguiria da teoria.
Quando se fala em filosofia da acção, o conteúdo significativo deste termo remete-nos para a actividade intelectual preparadora da acção.
As intenções, o querer, o deliberar, o conceber fazem parte integrante da acção. Isto é muito importante.
A acção refere-se, pois, à actividade humana integral, abarcando não apenas a execução efectiva mas também a concepção daquilo que se executa.
A acção restringe-se, deste modo, às operações que envolvem reflexão e vontade, não sendo, por exemplo, aplicada para designar actos de natureza instintiva. Então a acção não se aplica ao que é instintivo. No homem a acção reveste-se de caracteres especiais, explicáveis por aquilo que o distancia das demais espécies e que o leva a encarar o mundo de outro modo. Vocês, pessoas conscientes , possuem a vossa visão do mundo, das coisas, agem de acordo com os vossos interesses e respondem por vós próprios ao que gostam, são responsáveis e pessoas conscientes; agem tendo em conta um fim.
A necessidade do homem em estabelecer relações com os outros homens corresponde a um nível constitutivo do ser humano que se apresenta como um ser social, inter - actuando com os outros.
Nos animais, a acção é meramente espontânea e imediata, enquanto no homem eclodem formas de acção deliberada, mediata e reflexiva. Mesmo nas espécies animais capazes de aprendizagens mais complexas, estas nunca ultrapassam o reflexo condicionado, pelo que o seu contacto e aproveitamento do meio se processam com base em condutas instintivas e habituais.
Já no ser humano, a acção ultrapassa estes mecanismos primários, ascendendo a um nível superior em que a racionalidade está deveras implicada. Com ela o homem organiza de modo original os seus programas de vida, discernindo habilmente o que deseja, o que quer ou o que deve fazer. Reparem, o que deve fazer.
Portanto, se queremos compreender o fenómeno do agir tipicamente humano, teremos de nos reportar ao acto voluntário que, tal como os filósofos da acção afirmam, só ocorre na sequência de processos intelectuais que lhe são intrínsecos e determinam a orientação.
O acto voluntário não é um querer imediato e irreflectido. Desde a escolha do filme X, ao ir ver, até decidir o dinheiro a gastar. Tem-se em presença um reflectir consciente se é que assim se pode dizer.
Um dos objectivos da filosofia da acção é o de providenciar uma explicação da acção humana. Todos os seres humanos são chamados, em algum momento da sua vida, a fornecer explicações sobre as suas acções. Ao fazê-lo, tais agentes referem as suas crenças, os seus motivos, as suas intenções, os seus desejos. Com a descrição deles, fazem instintivamente aquilo a que chamamos a racionalização das suas acções.
Na filosofia da acção é habitual proceder-se a uma análise das frases mediante as quais os agentes descrevem e explicam o que fazem. As frases de acção têm um interesse especial por permitirem confrontar-nos com o velhíssimo preconceito que temos acerca de nós próprios: o de que somos seres inteligentes e racionais. A um ser inteligente não se exige que aja apenas segundo instintos e apetites momentâneos. Se é inteligente, deve ter consciência das razões pelas quais faz o que faz e deve poder comunicar essas razões.
Tudo o que fazemos faz parte da nossa conduta mas nem tudo o que fazemos são acções. Por exemplo quando mudo uma lâmpada, digo que estou a fazer algo porque existe um movimento corporal. Também quando tropeço num tapete, isto também não é uma acção propriamente dita, pois foi algo que me aconteceu.
Uma acção implica uma intenção do indivíduo. Assim, reservamos o termo agir para as acções conscientes, voluntárias e intencionais de um determinado agente (o agente é o autor da intenção e da acção, é aquele a quem se atribui a responsabilidade da acção). Por exemplo vou estudar para conseguir entrar na faculdade e tirar o curso com que sempre sonhei:
Acção - estudar
Intenção (é aquilo que nos propomos fazer) - entrar na faculdade;
Motivo (é aquilo que explica e permite compreender a intenção) - tirar o curso dos meus sonhos.
Uma acção é uma interferência consciente, voluntária e intencional na realidade, realizada por um sujeito livre e responsável.
Directa ou indirectamente quase todas as questões de que a Filosofia se ocupa têm de ver com o ser humano e com a forma como ele atribui sentido à vida e a tudo o que o rodeia. O homem é um ser dotado de complexidade.
Elementos da acção humana:
Acção - é a actividade humana consciente, livre, racional, intencional, voluntária e responsável.
ACÇÃO: aquilo que o agente faz; operação corporal do agente; intenção encarnada.
(Ex: O Gustavo atropelou a vítima).
Agente - é o autor e sujeito da acção, aquele que concretiza ou põe em prática a acção. O agente é o sujeito que escolhe, decide o que quer fazer e como quer fazer.
AGENTE: aquele que pratica a acção; sujeito da acção, que tem o poder de a produzir e a quem é atribuída ou imputada a intenção e, portanto, também a responsabilidade do acto praticado. (Ex: O acto do Gustavo).
Projecto - é aquilo que se tem em vista ou se traça para realizar. O projecto é o propósito da acção, é o objecto de uma decisão; é o que pretendemos realizar. O projecto determina, marca uma intenção de agir, realça a voluntariedade do acto humano. O homem enquanto ser de projecto orienta-se para o futuro, procura atingir determinados fins para os quais procura os meios necessários à sua realização.
Intenção - é uma das características específicas do agir humano. A intenção é a estratégia, isto é, fazer algo com tal intenção. A intenção é o objectivo coincidente, determinado (aquilo que se pretende fazer). A intenção é o querer fazer isto ou quilo da acção, é o que está no nosso intento realizar, traduz aquilo que o agente quer fazer, atingir ou obter; por vezes aproxima-se da noção de finalidade, outras vezes da de motivo. A intenção é uma antecipação da acção. A intenção exprime a acção e o efeito de tender para algo. São indicações conscientemente aceites que me levam a fazer algo enquanto tenho oportunidade. A intenção constitui um elemento indispensável da acção: se um sujeito realiza uma série de gestos, mas não tem nenhuma intenção ao fazê-los, está apenas a realizar um conjunto de movimentos, mas não se trata de uma acção. O movimento é aquilo que se observa e que se pode descrever de uma conduta humana, enquanto a acção se compõe tanto de movimento como de intenção.
INTENÇÃO: projecto consciente da vontade; orientação do desejo do agente para um fim.
(Ex: Quis atropelá-lo).
Motivo / Razão - é a tendência para certo tipo de acções e, portanto, para certo tipo de intenções (os motivos perguntam pelo "porquê", pelas causas da acção). Os motivos explicam, mas não justificam a acção. É a razão ou o porquê da acção. É a razão que justifica a nossa acção. Os meios são os procedimentos ou instrumentos que utilizámos para realizarmos aquilo que projectámos mediante uma escolha. Quando os meios são insuficientes ou inadequados, a acção fica comprometida, pelo menos quanto ao seu resultado, isto é, quanto ao que deriva da combinação entre o que a vontade quer e as possibilidades circunstanciais ou contextuais em que se encontra o agente. O motivo é o que leva a agir, é a causa de uma acção.
Os motivos ou razões são o porquê de uma acção e daí que estejam ligados com a decisão. O motivo é a razão de agir, é o motor da acção.
O motivo responde ao porquê, a decisão responde à pergunta quê, que fazemos, identifica a acção.
Só as acções motivadas são livres. São precisos motivos para que se possa agir livremente e de acordo com a nossa vontade, determinadora dos motivos do nosso agir. Porque temos motivos para agir, temos preferências nas nossas acções. Sem motivos não haveria razões para as nossas decisões. Só porque temos vontade, só porque temos motivos para agir desta ou daquela maneira é que ultrapassamos todos os obstáculos que possam impedir a realização das nossas possibilidades. Enquanto seres de futuro e de projecto que somos, são os motivos que nos permitem lutar pelos nossos objectivos de realização enquanto seres humanos. Os motivos são o motor do nosso agir.
O mesmo motivo pode originar várias acções. Ter fome pode fazer-nos decidir por cozinhar, ir a um restaurante ou roubar alimentos. O motivo é aquilo que nos impele a agir ou a fazer algo. É a razão que justifica a nossa acção. Responde à questão: “Por que fazes (fizeste ou vais fazer) isto?”
MOTIVO: aquilo que move o agente à acção, a razão da acção, o porquê da acção.
(Ex: atropelei-o, porque agrediu o meu pai).
Desejo - é um impulso subjectivo e consciente que o agente acredita corresponder a uma necessidade. É o impulso espontâneo e consciente para um bem conhecido ou imaginado, que se acredita ser necessário atingir para satisfazer uma necessidade ou carência.
Decisão - Todas as acções implicam decisões. Se a acção é um acto intencional, significa que o indivíduo possuía várias possibilidades para agir, podendo optar por uma delas. Ao optar por uma delas, teve necessariamente de tomar uma decisão. A decisão é uma escolha ou uma opção que implica uma preferência. A decisão é um juízo ou enunciado prático que designa categoricamente a acção a realizar. A decisão determina a acção. Entre as diversas possibilidades que nos são colocadas para a nossa acção, a opção por uma delas é primordial. Através da comparação dos prós e dos contras dessas possibilidades, nós optamos por uma, decidimo-nos por aquela que melhor corresponde ao nosso projecto. Ao optar por essa acção rejeitamos todas as outras possibilidades de agir.
A decisão implica, assim, uma aposta, um compromisso e a aceitação de todos os resultados que daí possam decorrer. No fundo, diríamos que decidir é criar. Ao decidir realizamos algo de nosso, algo de novo na realidade, alteramo-la por nós próprios, pela nossa acção. Ao agir decididamente assumimo-nos e escolhemo-nos. A decisão é sempre fruto de uma deliberação. A decisão torna-se também ela variável a partir de um mesmo motivo, e daí que nunca possamos, no domínio humano, garantir rigorosamente qual a decisão que levará à execução de uma acção numa determinada situação. Decidir supõe escolher entre vários rumos possíveis de acção, entre várias possibilidades ou alternativas.
DECISÃO/DELIBERAÇÃO: a consumação da liberdade e da intenção, mas ainda ao nível da consciência. (Ex: finalmente, Gustavo decidiu que ia mesmo atropela-lo).
Consciência - identifica a intenção e o motivo, a inteligência delibera, faz a avaliação das opções, a vontade decide, escolhe uma dessas opções e o corpo executa, põe em movimento.
CONSCIÊNCIA: conhecimento prévio das circunstâncias da acção e da acção enquanto tal. (Ex: Gustavo sabia que a vítima passava por ali todos os dias).
Deliberação - é a ponderação e reflexão no sentido da decisão; é ver os prós e os contras que se possa ter pelo acto de decidir. Depende da capacidade de ponderação e avaliação do agente por forma a poder escolher realizar essas mesmas acções. A deliberação consiste na análise dos motivos que nos levam a agir desta ou daquela maneira. Motivos que nos fazem optar por uma possibilidade entre outras possíveis.
PODER DE: a capacidade e a oportunidade do agente poder levar a cabo a sua intenção.
(Ex: Gustavo podia não tê-lo feito).
Meios - São os procedimentos, instrumentos ou actos a que recorremos para realizar aquilo que projectámos fazer ou ser, é o que conduzem à acção. É o que nos permite atingir um fim. No desenrolar de uma acção intencional, os meios são escolhidos no momento da concepção e posteriormente postos em prática para assegurar a realização da acção, ou seja, são condição da possibilidade de realização dessa acção.
É evidente que não basta ter intenção de agir, não bastam razões ou fins para atingir e meios para o conseguir realizar. Acima de tudo, para que o agir humano se concretize, é necessário decidir, agir.
Fins ou finalidade - aquilo que se pretende obter ou concretizar com a acção ( pergunta pelo "para quê", pelos fins da acção). É o fim ou meta para o qual se orienta a acção; é o para quê da acção. Corresponde ao limite extremo de uma acção. É o propósito de uma acção, ou o seu objectivo, mas, contrariamente ao propósito, o fim pode não ser intencional. Os fins são as ideias que o sujeito pretende realizar de forma consciente e explícita. Os nossos fins são os nossos desejos que pretendemos concretizar. Considerar que as acções humanas são realizadas por um fim, isto é, que são teleológicas, é um requisito fundamental para as compreender. A finalidade procura responder à questão do “para quê”, enquanto que o motivo se orienta para o “porquê”.
FIM: o objectivo da acção, o para quê da acção. (Ex: Fi-lo para fazer justiça).
Responsabilidade - é a imputabilidade das acções ao seu autor, é responder pelos seus próprios actos. A responsabilidade significa responder pela sua acção, assumir como seu autor e reconhecermo-nos nela. Articula-se com a liberdade humana. Ser livre, efectivamente, é estar na condição de assumir o conjunto dos seus actos; ser responsável é poder responder por eles.
IMPUTAÇÃO/RESPONSABILIDADE: a atribuição de um acto concreto a um agente concreto e o dever do agente de assumir o acto como seu e de responder por ele.
(Ex: Era sua obrigação de juiz imputá-lo pelo seu [de Gustavo] acto; era responsável por ele: tinha de responder por ele).
O Resultado - É o que deriva da vontade de ser ou de fazer aquilo que se projectou ser ou fazer tendo em conta as circunstâncias ou o contexto.
As Consequências - é o modo como o resultado da nossa acção afecta os outros e também a nós próprios.
Liberdade - é a capacidade para agir ou não, sem outra intervenção que a da vontade. Neste sentido genérico aproxima-se do livre arbítrio. A liberdade moral é a possibilidade de escolher, de facto, entre vários actos de acordo com a sua natureza e consequências. É o sentimento subjectivo de um agente, quer no momento da decisão quer em exame retrospectivo, de que a sua decisão é livre e de que poderia, se o tivesse escolhido, decidir de forma diferente.
LIBERDADE: a oportunidade de poder escolher conscientemente entre agir ou não agir.
(Ex: podia não o ter feito, mas Qui-lo fazer). Nota bem: escolher não agir é também uma acção.
Nota: Toda a acção humana implica uma motivação, o que significa que o homem tem sempre uma causa para agir desta ou daquela maneira. Não existem acções vazias, isto é, agir só por agir. Do mesmo modo, existe sempre intencionalidade na acção, ou seja, o homem projecta no futuro o objectivo do seu agir. Toda a acção humana voluntária é intencional, isto é, visa sempre um objectivo ou uma finalidade. A acção implica sempre um agente (um sujeito) que a execute. O agente age de forma consciente e voluntária, o que significa que nada nem ninguém o deve obrigar a agir de determinada forma e age em conformidade com a sua consciência, ou seja, sabendo porque está a realizar a acção e com que finalidade. O agente deve também agir em plena liberdade e a sua acção deve estar isenta de quaisquer tipos de constrangimentos ou coacções.
Dado que o agente age de forma consciente, livre e voluntariamente, ele é o único responsável pelas consequências da sua acção. A liberdade implica a responsabilidade. É o agente quem decide que opções tomar (sempre de forma consciente), sabendo de antemão os prós e os contras de cada um dos seus actos.
Ao levar a cabo a acção, isto é, ao executá-la, o agente sabe que se não agir de acordo com as regras da sociedade em que está inserido pode incorrer em penalizações (em sanções).