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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

TRABALHO FILOSÓFICO

O trabalho do filósofo consiste numa permanente interpretação da realidade, do TODO. A ter em conta, o filósofo é um interprete da realidade, apresenta as suas teses, os seus argumentos.

A caricatura do filósofo é alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos e incapaz de lidar com as coisas práticas da vida!
A Filosofia lida com questões fundamentais acerca do sentido da nossa existência.

Exemplos:

            1 - Porque razão estamos aqui?
            2 - Há alguma demonstração da existência de Deus?
            3 - As nossas vidas têm pouco propósito?
            4 - O que faz com que certas acções sejam moralmente boas ou más?
            5 - Poderemos alguma vez ter justificação para violar a lei?
            6 - Poderá a nossa vida ser apenas um sonho?
            7 - É a mente diferente do corpo, ou seremos apenas seres físicos?
            8 - Como progride a ciência?
            9 - O que é a arte?

A Filosofia é importante, é uma boa maneira de aprender a pensar mais claramente sobe um vasto leque de assuntos. Aplica-se ao: Direito, Informática, Consultadoria de Gestão, Funcionalismo Público, Jornalismo, etc. nestas áreas a clareza de pensamento é um grande triunfo.

Filosofar é: uma atitude interrogativa; é o colocar questões; um argumentar a partir de ideias que se pensam e originam questões, interrogações sobre ideias que a todos são comuns, que se usam todos os dias sem pensarmos nelas e que, no entanto, precisam de ser compreendidas.


- Sabes qual a distinção entre Verdade e Validade?
Se sabes, responde-nos com brevidade. Até já!
A Filosofia faz-se colocando questões, criticando, fundamentando e argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas, procurando saber como funcionam os nossos conceitos.
Podemos dizer que a Filosofia é uma actividade discursiva, na medida em que procura conhecer, interpretar e estabelecer relações, comunicando os nossos pontos de vista aos outros.

O domínio da linguagem é indispensável para que possamos comunicar com os outros, transmitindo e defendendo as nossas ideias. Não só é necessário dominar a linguagem e todos os seus instrumentos como também é indispensável saber argumentar, pois só assim conseguimos defender os nossos ideais e convencer os outros a aceitá-los. Para isso, é preciso que todo o nosso discurso seja lógico (estudarás aprofundadamente a lógica e argumentação no 11º ano), ou seja, que obedeça a todas as condições de coerência do discurso.

Actividades:

1 – Defina os seguintes conceitos:
Lógica, conceito, termo, juízo, proposição, raciocínio, argumento, falácia.
R:
Lógica – é a disciplina filosófica que se dedica ao estudo das leis, princípios e regras q que devem obedecer o pensamento e o discurso para que sejam rigorosos e coerentes.
Conceito – é o instrumento mental que permite pensar as mais diversas realidades, sejam materiais ou espirituais, fornecendo uma representação intelectual, abstracta e geral das características comuns a um conjunto de seres.
Termo – expressão verbal do conceito, variável segundo as línguas e podendo ser constituído por uma ou várias palavras.
Juízo – é a operação mental que permite estabelecer uma relação de afirmação ou de negação entre conceitos, podendo tal relação ser considerada verdadeira ou falsa.
Proposição – é a expressão verbal do juízo, variável consoante a língua em que é expressa.
Raciocínio – é o encadeamento de dois ou mais juízos, estruturados de tal forma que deles se pode extrair uma conclusão.
Argumento – é a expressão verbal do raciocínio.
Falácia – argumento inválido. Aparentemente correctas, as falácias conduzem ao equívoco aquele que aceita a conclusão, pois não respeitam as regras da lógica.

2 – Indique, de entre os enunciados seguintes, os que não são proposições:
      a) Que horas são?
      b) A chuva cai.
      c) O dia é belo.
      d) Que belo dia!
      e) Prometo te contarei a verdade.
      f) Siga em frente.
      g) Eu sou rico.
      h) Como são breves os dias!
R: a) d) e) f) e h)

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O TEXTO FILOSÓFICO COMO TEXTO ARGUMENTATIVO

O discurso filosófico baseia-se em argumentos.

Argumentar consiste em apresentar um conjunto de razões a favor de determinada conclusão. Os argumentos são fundamentais porque é através deles que defendemos uma conclusão ou tese.

Através da argumentação, procuramos fazer com que os outros adiram às nossas teses. Mas na Filosofia devemos estar abertos ao diálogo, à possibilidade da existência de discordâncias e refutações.

Perante o texto filosófico, podemos limitar-nos à sua leitura, ou então proceder igualmente à sua interpretação e explicação, ou avançar ainda para o seu comentário.
São estes três tipos de exercícios:
      1 - leitura,
      2 - explicação e
      3 - comentário.

Os textos filosóficos devem ser encarados como a via por excelência da iniciação filosófica

Atenção, dado determinado texto deve ter sempre em conta:

- Tema
- Tese principal
- Argumento do autor
- Objecção (de alguns modernos)
- Contra – argumentação (do autor)

Exercício prático:
Analise o seguinte texto numa perspectiva filosófica:

Texto 20 (p.45) do Manual adoptado.

“A noção de Deus mais comum e significativa que possuímos exprime-se bem nestes termos: Deus é um ser absolutamente perfeito (…). [Observe-se] que há na natureza muitas perfeições, todas diferentes, que Deus as possui todas em conjunto, e que cada uma lhe pertence no mais alto grau. (…) O poder e a ciência são perfeições e, enquanto pertencem a Deus, não têm limites. Donde se segue que, possuindo Deus a sabedoria suprema e infinita, age do modo mais perfeito, não só em sentido metafísico, mas ainda moralmente falando. (…)
Não poderia (…) aprovar a opinião de alguns modernos ao afirmarem, audazmente, que o que Deus faz não tem a última perfeição e que poderia ter agido muito melhor. Parece-me, com efeito, que as consequências desta opinião são inteiramente contrárias à glória de Deus (…) E é agir imperfeitamente, agir com menos perfeição do que se teria podido. (…) Isto vai ainda contra a Sagrada Escritura, uma vez que ela nos assegura a bondade das obras de Deus. (…) Além disso, estes modernos insistem em algumas subtilezas pouco sólidas, pois imaginam que nada é tão perfeito que não exista algo de mais perfeito, o que é um erro. Julgam também salvar com isso a liberdade de Deus, como se a suam liberdade não fosse agir com perfeição, segundo a razão soberana.”

Leibniz, Discurso de Metafísica, Edições 70, pp.11-16

2 – Elabore um comentário ao texto.
a) Identifique a tese principal
R: acção divina sobre o mundo
b) Evidencie os argumentos usados para a defender
R:
3 – Procure elaborar, para cada par de teses que se segue, argumentos a favor de cada uma dessas teses:

      3.1 - Deus existe/Deus não existe.
      3.2 - O homem é livre/O homem não é livre.
      3.3 - A beleza depende do sujeito/A beleza não depende do sujeito

Nota: Não se esqueça que o que interessa aqui é o modo como redige, como fundamenta o percurso de resposta; deve evitar respostas do tipo (sim e não, porque sim, porque creio... deve sempre justificar a sua postura)

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