PREPARAR PARA O TESTE - DESCARTES
1. Como se distingue o conhecimento a priori do conhecimento a posteriori?
O conhecimento a priori é independente da experiência. Por exemplo, o triângulo é um polígono com três ângulos ou Descartes ou está vivo ou está morto são afirmações conhecidas a priori. Não precisamos de recorrer à observação ou à experiência para estabelecer a verdade destas afirmações. O conhecimento a posteriori depende da experiência. As afirmações existem elefantes em Lisboa e Descartes está morto, caso sejam verdadeiras, são verdades a posteriori, pois a sua comprovação depende da observação e da experiência.
2. Quais são as principais teses racionalistas?
Chamamos racionalismo às teorias epistemológicas que veem no pensamento ou razão a principal fonte de conhecimento e a sua justificação. Os racionalistas desprezam o papel dos sentidos e defendem que um conhecimento para poder merecer esse nome deve satisfazer dois critérios: necessidade lógica e universalidade. O racionalismo opõe-se ao empirismo.
3. Quem foi René Descartes?
Descartes foi um filósofo, físico e matemático francês. É um dos pensadores tradicionalmente ligado ao racionalismo. Estabeleceu os fundamentos filosóficos do que hoje se denomina ciência moderna. No centro das suas preocupações estava:
- o combate ao ceticismo reinante na sua época e a reabilitação da razão;
- a criação de um método que conduzisse a razão à verdade;
- a construção de um sistema baseado em princípios firmes e indubitáveis.
4. Que método escolheu Descartes?
De modo a mostrar que os céticos estavam enganados e a construir uma base absolutamente segura para o conhecimento, Descartes institui a dúvida como método e rejeita como absolutamente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, para ver se restava algo absolutamente indubitável.
5. O que caracteriza a dúvida cartesiana?
A dúvida cartesiana é metódica (é o meio utilizado para descobrir o absolutamente certo, a ferramenta da razão que permite evitar o erro), provisória (o objetivo é encontrar certezas e reconstruir o edifício do saber), universal (nada pode escapar à dúvida) e hiperbólica (a dúvida estende-se, inclusivamente, à existência do mundo físico).
6. Como chega Descartes à sua primeira verdade indubitável?
Ao exercer metodicamente a dúvida, Descartes percebe que existem boas razões para duvidar das crenças estabelecidas. A maioria das nossas crenças não é indubitável, pois:
- as informações com origem nos sentidos não merecem confiança, pois os sentidos são enganadores.
- a crença nas verdades racionais (como as matemáticas) pode ser falsa, pois toda a gente se pode enganar.
- todas as crenças que possuímos acerca do mundo físico podem ser falsas (argumento dos sonhos).
O exercício da dúvida faz surgir uma primeira certeza indubitável: a existência do sujeito que duvida. Causa repugnância, diz Descartes, imaginar que quem duvida possa não existir, pois para duvidar é preciso pensar e para pensar é preciso existir: penso, logo existo. Assim, há razões para duvidar de tudo (incluindo da existência do mundo físico), menos do sujeito pensante que tudo pôs em dúvida.
7. Qual é, para Descartes, o critério de verdade?
Para Descartes, as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras. Ou, dito de outro modo, clareza e distinção são o critério de verdade.
8. O que caracteriza a primeira verdade inabalável?
O cogito (nome por que é conhecida a afirmação «Penso, logo existo») é uma evidência que se impõe ao espírito humano de forma absolutamente clara e distinta. Enquanto verdade primeira e exclusivamente a priori, oferece um ponto de partida seguro para o conhecimento.
9. Qual é a função do génio maligno no sistema cartesiano?
A hipótese do génio maligno é a hipótese de existir um Deus enganador, extremamente poderoso e astuto, que pusesse toda a sua indústria em enganar, fazendo-nos crer em falsidades. Esta hipótese faz Descartes chegar à conclusão de que por mais que fosse possível essa entidade existir e enganá-lo, há algo sobre o qual esse ser nunca o poderia enganar: o cogito (se penso, existo). Assim, a possibilidade de um génio maligno o enganar reforça a indubitabilidade do primeiro princípio, permitindo concluir a verdade da sua existência enquanto ser pensante.
10. Como chega Descartes à existência de Deus?
Provada a existência do cogito, o sistema cartesiano afirma a existência de um sujeito pensante e das suas ideias e nada mais. Permanecem dois problemas sem solução: primeiro, a hipótese da existência de um génio maligno; segundo, consequência do primeiro, a hipótese de o mundo físico não existir. Para poder prosseguir, Descartes tem de resolver este impasse e ultrapassar o solipsismo. Para tal, Descartes tentar provar a existência de um Deus sumamente bom. O raciocínio que nos propõe é o seguinte:
Eu, sujeito pensante, erro e duvido. Errar e duvidar são sinais de imperfeição. Saber que sou imperfeito implica ter em mim a ideia de um ser perfeito. De onde me terá vindo a ideia de um ser mais perfeito do que eu? A causa desta ideia ou está em mim ou em algo distinto de mim. Sei que a imperfeição não pode ser causa da perfeição. Assim, a causa da ideia de um ser perfeito não posso ser eu, sujeito pensante, pois sou imperfeito; a causa da ideia de ser perfeito tem, pois, de proceder de algo absolutamente perfeito e exterior a mim – Deus.
Se Deus é perfeito, então não pode ser enganador (um ser perfeito que fosse maldoso não seria perfeito) e tem de, forçosamente, existir (um ser perfeito que não existisse não seria perfeito).
11. Qual é o papel de Deus no sistema cartesiano?
Como Deus é perfeito e, por essa razão, não é enganador, podemos confiar na nossa razão quando esta pensa ter descoberto ideias claras e distintas. Deus é assim a garantia de que aquilo que conhecemos clara e distintamente é verdadeiro. Com Deus como garantia, Descartes pode deduzir outras verdades – a existência do seu corpo e do mundo físico, por exemplo – e construir, com toda segurança, o edifício do conhecimento verdadeiro.
12. Existem objeções ao racionalismo cartesiano?
Sim. Entre as mais comuns encontra-se uma que se designa por círculo cartesiano: as ideias claras e distintas são verdadeiras, pois Deus existe e é perfeito; Deus existe e é perfeito porque concebemos clara e distintamente a sua perfeição. Por este motivo, Descartes é, frequentemente, acusado de incorrer numa petição de princípio.
13. Quais são as principais teses empiristas?
Todo o conhecimento deriva da experiência.
A mente é, à partida, uma tábua rasa.
Não existem ideias inatas.
14. Quem foi David Hume?
David Hume foi um filósofo empirista escocês do século XVIII que desenvolveu uma profunda investigação sobre as capacidades do entendimento humano. Ficou célebre pelo seu ceticismo moderado (ou mitigado).
15. Como se caracterizam os conteúdos da mente, segundo Hume?
Todos os conteúdos da mente são, segundo Hume, perceções. As perceções dividem-se em dois tipos, de acordo com o seu grau de força e intensidade: impressões e ideias. As impressões são mais vivas e intensas e dizem respeito ao sentir (por exemplo, a dor que sinto quando entalo um dedo corresponde a uma impressão). As ideias são menos vivas e intensas e dizem respeito ao pensar (por exemplo, a recordação de ter entalado o dedo corresponde a uma ideia).
As impressões correspondem, portanto, às nossas sensações, tanto internas (emoções) como externas (cinco sentidos). As ideias são cópias de impressões e podem ser simples (produto da memória) ou complexas (resultado da imaginação). Na ausência de impressões, jamais conseguiremos formar ideias
domingo, 4 de novembro de 2018
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
APONTAMENTOS DE FILOSOFIA - 11 - DESCARTES
Questionário de filosofia - 11º Ano (Descartes). Quem responde às questões?
1. Enuncie a natureza e função do cogito cartesiano.
2. Indique o papel da razão no sistema cartesiano.
3. Explique porque considera Descartes o "eu penso, logo existo" como verdade primeira.
4. Enuncie as razões em que se fundamenta a dúvida cartesiana.
5. Descreva o processo de reflexão que levou Descartes da dúvida à primeira certeza.
6. Em Descartes, será a razão a "medida de todas as coisas"?
7. Elabore uma reflexão sobre o método cartesiano.
8. Como se revela, em Descartes, a "preocupação de fundar o seu pensamento"?
9. Elabore uma reflexão sobre a dúvida cartesiana.
10. "Tenho a certeza de que sou uma coisa que pensa": como chegou Descartes a esta "certeza"?
11. "... a qual não bastaria para me garantir que é verdadeira". O que garante a verdade das evidências a Descartes?
12. Qual a função do critério de evidência no sistema cartesiano?
13. Caracterize o racionalismo cartesiano.
14. Explique o objetivo do projeto filosófico de Descartes.
15. Clarifique a noção de Metafísica e explique a "imagem da árvore da ciência", segundo Descartes.
16. Explicite o papel da dúvida, no pensamento de Descartes, como método e como seu momento prévio.
17. Clarifique a posição do cogito na ordem do ser e a ordem do conhecer, segundo Descartes.
18.Esclareça a posição de Descartes face ao ceticismo.
19. Só Deus é infalível e o ser humano erra. Explique as causas do erro, do ponto de vista cartesiano.
20. Analise uma das provas da existência de Deus apresentadas por Descartes.
21. Explique o processo do pensamento que levou Descartes à afirmação da existência em nós de ideias primitivas.
2. Indique o papel da razão no sistema cartesiano.
3. Explique porque considera Descartes o "eu penso, logo existo" como verdade primeira.
4. Enuncie as razões em que se fundamenta a dúvida cartesiana.
5. Descreva o processo de reflexão que levou Descartes da dúvida à primeira certeza.
6. Em Descartes, será a razão a "medida de todas as coisas"?
7. Elabore uma reflexão sobre o método cartesiano.
8. Como se revela, em Descartes, a "preocupação de fundar o seu pensamento"?
9. Elabore uma reflexão sobre a dúvida cartesiana.
10. "Tenho a certeza de que sou uma coisa que pensa": como chegou Descartes a esta "certeza"?
11. "... a qual não bastaria para me garantir que é verdadeira". O que garante a verdade das evidências a Descartes?
12. Qual a função do critério de evidência no sistema cartesiano?
13. Caracterize o racionalismo cartesiano.
14. Explique o objetivo do projeto filosófico de Descartes.
15. Clarifique a noção de Metafísica e explique a "imagem da árvore da ciência", segundo Descartes.
16. Explicite o papel da dúvida, no pensamento de Descartes, como método e como seu momento prévio.
17. Clarifique a posição do cogito na ordem do ser e a ordem do conhecer, segundo Descartes.
18.Esclareça a posição de Descartes face ao ceticismo.
19. Só Deus é infalível e o ser humano erra. Explique as causas do erro, do ponto de vista cartesiano.
20. Analise uma das provas da existência de Deus apresentadas por Descartes.
21. Explique o processo do pensamento que levou Descartes à afirmação da existência em nós de ideias primitivas.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Por onde anda a Filosofia?
Estamos de volta!
Em breve comemora-se o dia mundial da Filosofia! Terceira quinta feira de Novembro. Afim? Estamos a amadurecer as ideias e temos o prazer pelo pensar, esta vertente erótica do cogito.
"Filosofar é estar a caminho" - Karl Jaspers
Em breve comemora-se o dia mundial da Filosofia! Terceira quinta feira de Novembro. Afim? Estamos a amadurecer as ideias e temos o prazer pelo pensar, esta vertente erótica do cogito.
"Filosofar é estar a caminho" - Karl Jaspers
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