FILOSOFIA 10ºAno
Duração: 90 minutos
Leia atentamente a sua ficha antes de começar a responder. Nada de pressas! Deve ter em conta os seguintes critérios, segundo os quais as suas respostas serão avaliadas:
Domínio dos conteúdos e temas tratados – 40%; Análise e interpretação de documentos /frases apresentada – 30%; Rigor conceptual – 10%, Correcção linguística – 10%, Clareza e sequência lógica das ideias – 10%.
Grupo I
(10x3=30 pontos)
Este grupo é constituído por dez afirmações em que terá de assinalar com um V, as afirmações verdadeiras e com um F as falsas.
Este grupo é constituído por dez afirmações em que terá de assinalar com um V, as afirmações verdadeiras e com um F as falsas.
1 – O valor não reside nos objectos, antes lhes é conferido pelas estruturas do sujeito. - V
2 – A relatividade caracteriza a vivência dos valores. Ela manifesta-se quer a nível individual quer colectivo. V
3 – O valor reside no respeito pelos outros, na promoção do seu desenvolvimento e da sua realização como seres livres, isto refere-se ao critério da dignidade humana. – V
4 – O valor reside no que provoca menos mal ao menor número de pessoas, isto refere-se ao critério da fundamentação consensual. – F – refere-se ao critério democrático.
5 – Etnocentrismo e relativismo cultural são duas variedades do interculturalismo. – V
6 – O etnocentrismo manifesta incompreensão face às outras culturas. – V
7 – Chauvinismo, discriminação racial e xenofobia são consequências negativas da atitude etnocêntrica. – V
8 – O interculturalismo defende o respeito por toda a humanidade e a convivência num mundo pluralista. – V
9 – Porque a moral impõe regras na conduta das pessoas, ela é um atentado à liberdade. – F
10 – A ética preocupa-se com temas como: a responsabilidade e a formação da consciência moral, a justificação dos valores e das normas morais e a correcção das condutas em termos de bem e de mal. – V
Grupo II
(6x5=30 pts)
No grupo que se segue terá de seleccionar a resposta correcta.
1 – Erguer o braço será uma acção se o agente:
A – Estiver a ver que o seu braço se ergue;
B – Tiver razões para erguer o braço;
C – Acreditar que deve erguer o braço;
D – O erguer intencionalmente.
2 – A afirmação “A Bíblia é sagrada”, pode ser classificada incontroversamente como um juízo:
A – De valor.
B – De facto.
C – Objectivo.
D – Subjectivo.
3 – A tese distintiva do relativismo cultural é a de que:
A – Os valores surgem dentro de cada cultura específica.
B – Pessoas de culturas diferentes aceitam juízos de valor diferentes.
C – A correcção dos juízos de valor depende da cultura.
D – O diálogo intercultural é intrinsecamente valioso.
4 – Tanto o relativista cultural como o subjectivista acreditam que os valores:
A – Dependem fundamentalmente dos costumes e tradições.
B – São relativos a certos pontos de vista.
C – Não dependem de nenhum ponto de vista.
D – Dependem fundamentalmente das preferências de cada um.
5 – A cultura pode ser definida como:
A – Um fenómeno que ocorre entre os diversos seres vivos.
B – Um fenómeno que ocorre no interior das sociedades actuais.
C – Um conjunto de saberes que permite distinguir os indivíduos dentro do grupo social a que pertencem.
D – Um conjunto de formas de estar, pensar e agir características de um grupo.
6 – A ética reflecte sobre os fundamentos da moral. Esta afirmação é:
A – Verdadeira, porque cabe à ética compreender os critérios do bem e do mal, do justo e do injusto.
B – Falsa, porque é a moral que reflecte sobre os fundamentos da ética.
C – Verdadeira, porque a ética é o conjunto de regras morais definidas previamente.
D – Falsa, porque a ética e a moral reflectem sobre os mesmos assuntos.
Grupo III
(30+30+30+10=100 pts.)
Neste grupo pretendem-se respostas curtas e objectivas.
Tenha em atenção que a sua resposta será avaliada de acordo com critérios já mencionados inicialmente.
1 –
“ Consoante a cultura se vai sofisticando mais, tornando-se mais reflexiva e menos impulsiva, concebe-se a si própria como uma forma de vida entre outras, talvez preferível mas certamente não seguramente mais “humana” do que outras modalidades vizinhas; por isso, abre-se a elas, realiza intercâmbios, deixa-se contagiar por vontade própria ou de má vontade, acrescenta às suas senhas de identidade como signo positivo os traços do “estranho” que antes eram vistos negativamente.”
– Fernando Savater, O Meu Dicionário Filosófico
A partir do texto, mostre a influência da cultura na alteração dos valores. (30 pontos)
R: No entender do autor do texto, à medida que a cultura se vai tornando mais sofisticada, isto é, à medida que vai perdendo o seu carácter mais rudimentar e primitivo, desenvolve a ideia de que é apenas mais uma forma de estar no mundo entre muitas outras formas possíveis. Assim, esta cultura “mais desenvolvida” altera os seus valores e abre-se aos valores de outras culturas, aceitando aquilo que anteriormente era considerado inaceitável. Desta forma, se as culturas menos desenvolvidas tendem a considerar-se superiores, as culturas mais desenvolvidas tendem a ver-se a si próprias, cada vez mais, como uma cultura entre muitas.
A cultura, enquanto conjunto de costumes, de saberes, de formas de vida, de tradições, de conquistas, de formas de ver o mundo, etc., traduz-se numa pauta de valores que orientam as acções daqueles que nela se inserem. A cultura não pode ser separada da forma como o ser humano vive e age, por isso, para compreendermos a forma como cada povo vive e constrói os seus valores é necessário compreender a sua cultura.
2 –
“O facto de cada sociedade ou cultura histórica ter os seus costumes é uma verdade compatível com a de que há ou deve haver valores éticos fundamentais onde não cabem relativismos: a justiça deve ser intracultural, a mesma, no essencial, para todas as sociedades. Os direitos humanos, o respeito pelas necessidades e bens primários são princípios que marcam os critérios do que deve ser respeitado em qualquer caso e em qualquer lugar ou tempo, aquilo que, nesta fase do século XXI, é indiscutível e não negociável.”
– V. Campus, Paradoxos do individualismo
Caracterize a perspectiva sobre a questão dos critérios valorativos que se encontra no texto. (30 pontos)
R: O texto defende que o facto de a diversidade cultural e de a própria época histórica apresentarem costumes e formas de vida que veiculam diferentes valores, não é incompatível com a necessidade de haver valores éticos que não possam ser postos em causa. Neste sentido a autora do texto entende que há valores fundamentais dos seres humanos, como a justiça, os direitos humanos, o respeito pelas necessidades e bens primários, que devem serem essencialmente iguais em todas as sociedades, independentemente da cultura que as defina. Estes valores são universais e não devem, por isso, ser negociáveis. Aceitar que os valores são o resultado de uma construção cultural e que a sua diversidade deve ser respeitada, é cair num relativismo que pode ser perigoso, pois em nome da aceitação da diversidade cultural podemos ignorar situações de injustiça e violação dos direitos fundamentais, como os da igualdade entre todos os seres humanos. A perspectiva sobre os critérios valorativos defendida no texto vai justamente no sentido de procurar que as diferentes culturas caminhem para valores com características universais, como os do respeito e compreensão das diferenças, da dignidade humana, da liberdade, etc., sem com isto destruir as suas características particulares que marcam a especificidade de cada cultura.
3 –
“Não se trata, pois, de manter as diversas culturas como se fossem espécies biológicas e houvera que defender a “biodiversidade”. Trata-se mais de tomar consciência de que nenhuma cultura tem soluções para todos os problemas vitais e de que pode aprender com outras, tanto soluções que lhe faltam, como compreender a sua própria. Neste sentido, uma ética intercultural não se contenta com assimilar as culturas relegadas a triunfantes, nem sequer com a mera coexistência de culturas, mas convida a um diálogo entre culturas, de forma que respeitem as suas diferenças e que, dilucidando conjuntamente o que consideram irrenunciável, construam, a partir delas, uma convivência mais justa e feliz.”
A. Cortina; Cidadãos do Mundo. Para uma teoria da Cidadania
A autora do texto defende uma atitude face à diversidade cultural. Descreva essa atitude. (30 pontos)
R: A atitude face à diversidade cultural defendida pela autora do texto é a do interculturalismo e do diálogo entre culturas. Segundo esta perspectiva, não basta aceitar o relativismo cultural e ser tolerante com as diferentes expressões culturais, mas é necessário promover o diálogo entre culturas, que permita respeitar as diferenças e, ao mesmo tempo, construir uma convivência saudável. Esta atitude dialogante parte do principio de que cada cultura beneficia coma compreensão e o conhecimento de outras formas de estar no mundo e entende também que só com a colaboração de todos se podem alcançar soluções para os problemas que a todos afectam. Para viver verdadeiramente um diálogo intercultural é necessário estabelecer que há valores universais que devem ser partilhados por todas as culturas, com vista à construção de um mundo mais humano. Entre estes valores encontram-se o respeito pelos direitos humanos, a defesa da liberdade e da igualdade e a promoção do respeito entre as culturas.
4 – Defina Moral. (10 pontos)
Moral – O termo moral do termo latino mores, que significa costumes. De acordo com a etimologia, a moral diz respeito ao conjunto de regras que exprimem os modos de ver, pensar e sentir normalizados por uma sociedade e que orientam os indivíduos na prática do que se considera ser bom ou desejável. Sublinhando, fala-se de moral quando se trata do conjunto de normas que regula a vida quotidiana das sociedades e dos indivíduos. Desta forma, a moral diz respeito às normas ou regras que regem os comportamentos dos homens, indicando o que é considerado o agir correcto na sociedade em que vivem. A moral regula a conduta do indivíduo e indica o que é bom e desejável numa sociedade e, por isso, constitui códigos particulares que se restringem a uma comunidade específica. Por outro lado, o corpo de normas que constitui a moral tem um carácter histórico, alterando-se ao longo do tempo. Assim, quer por condicionantes históricas, quer por condicionantes sociais, uma acção que pode ser considerada moral numa sociedade e num tempo pode ser considerada imoral por aqueles que se orientam por outro código, porque vivem num tempo ou num lugar diferente.
A moral diz respeito ao querer saber o que devo fazer para agir de acordo com o dever.
Grupo IV
(50 pts.)
Neste grupo pretende-se uma resposta aberta e orientada. (Sublinha-se a importância da originalidade e exemplaridade)
Tenha em atenção que a sua resposta será avaliada de acordo com critérios já mencionados inicialmente.
“A vida não é como os medicamentos, que trazem todos uma literatura inclusa” onde se indicam as contra – indicações do produto e se indicam as doses a consumir. A via é-nos dada sem receita e sem literatura inclusa.”
Fernando Savater
Elabore um comentário Filosófico a esta afirmação, relacionando-a com a importância da ética.
R: Tendo em conta o texto de Fernando Savater, é de salientar a importância da ética para definir as orientações da vida. Os seres humanos não nascem programados, não têm rumos pré-definidos para as acções, não têm piloto automático, por isso compete ao ser humano estabelecer o seu projecto de vida, harmonizando os seus interesses com os interesses dos outros, já que não pode viver isolado. As próprias normas morais são reconhecidas no seio de uma sociedade como condições de possibilidade da realização pessoal e social do indivíduo.
FIM