Nas ciências e em epistemologia, é o conjunto das condições necessárias à existência de um fenómeno. O princípio que afirma que entre os fenómenos existem relações necessárias. Em metafísica, e mais geralmente, é a doutrina segundo a qual tudo resulta de causas necessárias, mesmo os efeitos da vontade.
Será que podemos pensar na lei da causa e do efeito? Tudo o que existe tem uma causa, a causa foi a origem daquilo que é. O que é foi consequência de alguma coisa.
- Será que as coisas são por acaso?
- O que é que te moveu vir agora aqui a este blog? Ler este escrito? Nada? E porque estás aqui?... algo originou vires até aqui! Não foi? Pensa...
O determinismo parte da consideração de que, da mesma forma que podemos sempre encontrar causas para os eventos físicos que nos cercam, podemos sempre encontrar causas para as nossas acções, sejam elas quais forem.
Com efeito, sendo como somos produtos de um processo de evolução natural, seria surpreendente se as nossas acções não fossem causadas do mesmo modo que o são outros eventos biológicos, tais como a migração dos pássaros e o fototropismo das plantas.
Mesmo que o princípio da causalidade não seja garantido e que no mundo da microfísica ele tenha sido inclusive colocado em dúvida, no mundo humano, constituído pelas nossas acções, pensamentos, decisões, vontades, esse princípio parece manter-se plenamente aceitável.
De facto, admitimos que as decisões ou acções humanas são causadas.
Alguns poderão dizer que Napoleão invadiu a Rússia por livre decisão da sua vontade. Mas os historiadores consideram parte do seu ofício encontrar as causas, procurando esclarecer as motivações e circunstâncias que o induziram a tomar essa funesta decisão.
Na determinação das nossas acções, as causas imediatas podem ser externas (alguém decide parar o carro diante de um sinal vermelho) ou internas (alguém resolve tomar um refrigerante), sendo geralmente múltiplas e por vezes muito difíceis de serem rastreadas.
No entanto, teorias biológicas e psicológicas (especialmente. a psicanálise) sugerem que as nossas acções são sempre causadas; "Fiz isso sem nenhuma razão" raramente é aceite como desculpa.
Com base em considerações como essas, a conclusão do filósofo determinista é a de que o livre-arbítrio na verdade não existe, posto que se a acção fosse realmente livre ela não seria determinada por outros factores independentes dela mesma.
A liberdade que parecemos ter ao tomarmos as nossas decisões é pura ilusão, produzida por uma insuficiente consciência das suas causas. Mesmo quando pensamos que poderíamos ter agido de outro modo, o que queremos dizer não é que éramos realmente livres para agir de outro modo, mas simplesmente que teríamos agido de outro modo se o sentimento mais forte tivesse sido outro, se soubéssemos aquilo que agora sabemos etc.
O argumento a favor do determinismo pode ser assim esquematizado:
1. Todo o evento é causado.
2. As acções humanas são eventos.
3. Portanto, todas as acções humanas são causadas.
4. As acções humanas só são livres quando não são causadas.
5. Portanto, as acções humanas não são livres.
2. As acções humanas são eventos.
3. Portanto, todas as acções humanas são causadas.
4. As acções humanas só são livres quando não são causadas.
5. Portanto, as acções humanas não são livres.
A posição determinista encontra, porém, dificuldades. Não é só o sentimento de que somos livres que perde a validade. Também o sentimento de arrependimento ou remorso parece perder o sentido, pois como se justifica que nós possamos arrepender-nos das nossas acções, se não fomos livres para escolhê-las?
Também a responsabilidade moral perde a validade. Se nas nossas acções somos tão determinados como uma pedra que cai ao ser solta no ar, faz tão pouco sentido responsabilizar uma pessoa pelos seus actos quanto faz sentido responsabilizar a pedra por ter caído. Tais dificuldades levam-nos a considerar a posição oposta.
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