Filosofia - "designa um saber geral e gerant, univeral e universalizante; um saber reflexivo que precede e procee às outras formas de saber"
Teste Sumativo de Filosofia
Duração: 90 minutos
Leia atentamente o seu teste Sumatívo antes de começar a responder. Nada de pressas! Deve ter em conta os seguintes critérios, segundo os quais as suas respostas serão avaliadas:
Domínio dos conteúdos e temas tratados – 40%; Análise e interpretação de documentos /frases apresentada – 30%; Rigor conceptual – 10%, Correcção linguística – 10%, Clareza e sequência lógica das ideias – 10%.
GRUPO I (12x5=60 pontos)
As questões deste grupo são de selecção. Indique para cada questão a opção correcta:
1 – No tocante à especificidade da filosofia:
A – A filosofia é caracterizada pela autonomia, porque os filósofos subscrevem todas as afirmações alheias.
B – A filosofia é radical, porque diz sempre o contrário daquilo que o homem comum pensa.
C – A filosofia é universal na medida em que os seus problemas, sendo comuns a toda a Humanidade, são fáceis de resolver.
D – A filosofia desenvolve-se ao longo da história, e o filósofo é influenciado pela sua cultura.
2 – No que se refere à origem do filosofar:
A – É o espanto que desencadeia o filosofar.
B – Devemos assumir uma dúvida definitiva, porque nada podemos conhecer acerca das coisas.
C – As situações-limite nunca desencadeiam a reflexão filosófica, porque para filosofar é necessário ter o espírito tranquilo.
D – A filosofia é um acto solitário e impartilhável.
3 – A filosofia não serve para nada. Esta afirmação é:
A – Verdadeira, porque a filosofia não proporciona resultados imediatos.
B – Falsa, porque a filosofia permite o conhecimento do real e de nós próprios, lidando com questões fundamentais relativas ao sentido da nossa existência.
C – Verdadeira, porque a filosofia não traz qualquer vantagem material.
D – Falsa, porque a filosofia nos permite alcançar certezas absolutas.
4 – No que se refere aos instrumentos lógicos do pensamento:
A – O conceito é uma representação mental que reúne as características individuais de um conjunto de seres.
B – O termo é a expressão verbal do juízo.
C – Uma interrogação pertence à categoria das proposições.
D – O juízo é a operação mental que permite estabelecer uma relação de afirmação ou de negação entre conceitos, podendo tal relação ser considerada verdadeira ou falsa.
5 – Uma falácia é um argumento:
A – Inválido.
B – Válido.
C – Aparentemente válido.
D – Realmente válido.
6 – O juízo “O homem não é animal”, é um juízo:
A – Afirmativo, em que o sujeito é homem.
B – Negativo, em que o predicado é animal.
C – Verdadeiro, em que o sujeito é animal.
D – Falso, em que o predicado é homem.
7 – O comentário de um texto filosófico:
A – Não pressupõe a explicação do texto.
B – Não exige a reflexão pessoal.
C – Pressupõe conhecimentos da história da filosofia.
D – Restringe-se obrigatoriamente ao texto em questão.
8 – Argumentar consiste em:
A – Discutir acaloradamente, a fim de que a nossa tese se imponha pela força.
B – Apresentar um conjunto de razões a favor de determinada conclusão.
C – Fazer o que está ao nosso alcance para que as nossas ideias sejam tidas por superiores às dos outros.
D – Falar eloquentemente para que a nossa opinião se torne apelativa.
9 – A acção humana pode caracterizar-se como sendo:
A – Consciente, involuntária e racional.
B – Consciente, voluntária e irracional.
C – consciente, voluntária e intencional.
D – Consciente, involuntária e intencional.
10 – Deliberar implica:
A – Encontrar os meios necessários para realizar dada acção.
B – Reflectir acerca das diferentes possibilidades de acção.
C – Decidir o que fazer em determinada situação.
D – Escolher um objectivo de acção.
11 – É através dos motivos que podemos compreender plenamente uma dada acção humana. Esta afirmação é:
A – Verdadeira, porque o motivo deriva da realização da acção.
B – Falsa, porque o motivo corresponde ao objectivo da acção.
C – Falsa, porque o motivo por si só não explica integralmente uma acção humana.
D – Verdadeira, porque o motivo revela a razão pela qual a acção ocorre.
12 – Ser responsável é:
A – Cumprir exclusivamente as leis, normas e regras morais.
B – Ter consciência do que se faz.
C – Agir sempre com muito cuidado para não prejudicar os outros.
D – Assumir as suas acções e ser capaz de responder por elas.
GRUPO II
1 – Tenha em conta a seguinte citação:
“A maturidade é tudo. Talvez que a filosofia nos dê, se lhe formos fiéis, uma sadia unidade da alma.
Will Durant, Filosofia da Vida, Livros do Brasil, p.7
1.1. Relacione esta afirmação com a ideia de que a filosofia e a vida são indissociáveis. . (10 pontos)
2. Atenda ao seguinte texto:
“Eu, porém, apenas sou alguém com o outro, sozinho nada sou.
Karl Jaspers, Iniciação Filosófica, Guimarães Editores, p. 26.
2.1. Refira em que medida a vontade de comunicação autêntica se pode constituir como a origem do filosofar. (15 pontos)
3. Tenha em consideração o texto que se segue:
“A vida pressupõe a memória do passado. Com efeito, qualquer saber prático implica a memória das regras técnicas, quer ao nível da vida individual quer da vida social. O poder sobre as coisas é a reactualização de um saber adquirido de tal forma que a memória funcione como uma fonte de acção sobre o mundo. A vida consciente, em vez de funcionar de acordo com comportamentos instintivos, põe em acção processos decisionais e técnicos que se servem de um capital de experiência. Contrariamente aos outros mamíferos, o homem parece ser, por excelência, um ser de memória. Em vez de viver um presente absoluto, sempre renovado, à medida das suas percepções e acções, o homem vive uma perpétua sobreposição do passado, do presente e do futuro. A sua consciência, ao reter o passado imediato e ao antecipar sobre o futuro próximo, efectua uma síntese temporal que lhe permite ligar os acontecimentos entre si, em suma, pensar uma ordem do eu e do mundo.”
Olivier Salazar Ferrer, “O Tempo, a Percepção, o Espaço, a Memória”, in AAW, As Grandes Noções da Filosofia, Instituto Piaget, p. 1060
3.1. Identifique a tese principal. (5 pontos)
3.2. Evidencie os argumentos usados para a defender. (10 pontos)
GRUPO III
1 – Considere o seguinte texto:
“Na linguagem ordinária, a acção não é um acontecimento, isto é, algo que acontece; entre o fazer e o acontecer há dois jogos de linguagem. (..) ”
Paul Ricoeur, O Discurso de Acção, Edições 70, p.30
1.1 – Explicite a afirmação, distinguindo o que fazemos do que nos acontece. (10 pontos)
2. Considere a seguinte descrição:
“Bruno teve uma semana desgastante. Com testes todos os dias, mal teve tempo para outras coisas que não estudar e estudar. Chegado ao fim-de-semana e sem mais testes na semana seguinte, chegou também o merecido descanso. Mas, para Bruno, descansar não é ficar em casa sem fazer nada. Descansar é fugir da rotina da semana e praticar desporto, ou seja, jogar futebol com os amigos. Por isso, pediu aos pais para sair com os seus amigos, telefonou-lhes a combinar, equipou-se, pegou na bicicleta e foi até ao local combinado a pedalar. Bruno jogou como avançado e durante o jogo rematou tantas vezes à baliza que conseguiu fazer um golo. Mas numa das suas investidas para marcar outro golo, o seu amigo que jogava na equipa adversária, tentando defender a bola, deu-lhe um pontapé na perna que o fez cair e magoar-se. Felizmente, tratou-se de um ferimento ligeiro que não o impediu de terminar o jogo e ganhar a partida. Contudo, quase perdia o jogo por algo que jura não ter feito: defendeu uma bola com a mão, na grande área, dando um penálti à equipa adversária. Todos consideraram que ele defendeu com a mão, mas Bruno nem se apercebeu do que fez. Felizmente, a sua equipa não perdeu o jogo por causa desse episódio.
O jogo fê-lo ficar bastante cansado: transpirava, respirava ofegantemente e sentia o ritmo cardíaco bastante acelerado; mas sentia-se mais fresco mentalmente. Bruno joga assim, com os amigos, não para ser um jogador profissional no futuro, mas essencialmente para se divertir. Divertiu-se bastante e conseguiu fugir da rotina da semana.”
2.1. Tendo por base a situação apresentada no texto, indique:
a) Algo que aconteceu ao Bruno. (10 pontos)
b) Coisas que Bruno fez involuntariamente, consciente ou inconscientemente. (10 pontos)
c) A acção intencional não básica. (10 pontos)
d) As acções intencionais básicas. (10 pontos)
e) Relativamente à acção não básica que indicou, o desejo, a crença e o fim. (10 pontos)
f) O motivo da acção (5 pontos)
g) O projecto. (5 pontos)
h) O agente da acção. (5 pontos)
GRUPO IV
Tenha em atenção que a sua resposta será avaliada de acordo com critérios já mencionados inicialmente. (25 pontos)
1. Considere o seguinte texto:
“O discurso é a expressão do pensamento racional sob a forma de uma sequência de juízos incidindo sobre conceitos parciais.”
G. Durozoi e A Roussel, Dicionário de Filosofia, Porto Editora
1.1. – Elabore um comentário (filosófico) em que prove que a Filosofia é uma actividade discursiva.
Total: 200 pontos
Bom trabalho!
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